Geração-Z-vai-ditar-nova-era-do-consumo Geração Z vai ditar nova era do consumo?

A Geração Z, que são aqueles que nasceram depois do surgimento da internet, revela cada vez mais que está muito mais preocupada com a experiência do que com a posse de bens. Mas será que as empresas que surgiram antes do nascimento deles e atendiam consumidores de outras gerações estão preparadas para essa tendência de consumo? Essa é uma geração questionadora, que está sempre conectada e é firme defensora da sustentabilidade.

Não à toa, que o uso de serviços de compartilhamento, como Uber e Airbnb, caiu como uma luva para quem é nascido a partir dos anos 2000.

E não tenham dúvidas, os jovens são sempre aqueles que ditam as regras de consumo de uma sociedade, inspiram campanhas de marketing que querem chamar a atenção deles e incentivá-los a consumir.

Empresas que estão de olho no potencial de consumo da Geração Z

Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas) do ano passado, já em 2019, a Geração Z representaria 32% da população mundial, superando até os Millenials, os nascidos entre meados da década de 1980 e anos 1990, que ficaria com a parcela de 31,5%. Só no Brasil, a Geração Z já abrange 30 milhões de pessoas, número bastante significativo para abalar estruturas.

Por isso, além do Uber e Airbnb, outras empresas estão usando a ideia do compartilhamento como um novo modelo de negócio, justamente para atender essa tendência que vem forte na Geração Z.

Só para se ter ideia, depois do surgimento do Uber, mais de 60% dos jovens passaram a questionar a necessidade de comprar um carro, conforme foi divulgado no relatório “Global Automotive Consumer Study: Future of Technologies” (Estudo Global do Consumidor Automotivo: Futuro das Tecnologias), elaborado pela Deloitte, em 17 países.

Com isso, o serviço de compartilhamentos de bikes e patinetes, que começou forte na capital paulista, e invadiu outras cidades, ganhou destaque. Há muitas pessoas na capital de São Paulo que sequer querem usar Uber diante do trânsito sempre complicado. Estão dando um passo além: a rapidez e liberdade possibilitadas pelas bikes e patinetes são preferidas.

As bikes compartilhadas também já estão disponíveis em muitos condomínios, que também usam os aplicativos de celular para disponibilizar o serviço. Essa iniciativa vem de encontro até com à consciência ambiental dos Z. E já existem condomínios que os serviços de lavanderia e até oficina mecânica são compartilhados e isso demonstra que o consumo colaborativo vem ganhando força.

Essa geração parece mostrar que há cada vez mais uma saturação do consumo, por isso, o que começou com a filosofia Uber de compartilhamento, começou a atrair outros setores.

Aluguel de roupas entra na onda

Recentemente, e de olho focado nesta geração, a empresa varejista norte-americana Urban Outfitters, lançou uma ideia que pode até parecer um tanto chocante para aqueles que nasceram em outras gerações: o lançamento do serviço de aluguel mensal de roupas. Por US$ 88, as pessoas poderão escolher 6 itens para usar por 1 mês.

A ideia tende a dar certo entre a Geração Z porque para quem nasceu neste intervalo de tempo pós-internet, a experiência é muito mais valiosa do que possuir um bem, como um carro, um relógio de luxo e, agora, até mesmo uma calça ou camisa de grife.

Nos Estados Unidos, outra empresa que se lançou neste mercado e já tinha faturado US$ 125 milhões até o ano passado foi a Rent The Runway. A empresa trabalha com aluguel de peças estilosas por uma única vez e também oferece serviço mensal.

Pelos dados da consultoria Global DataRetail, publicada no Wall Street Journal, esse é um mercado bastante promissor, que deve faturar até 2,5 bilhões de dólares até 2023.

E esse é um tipo de negócio que pode abalar até mesmos as grandes redes de fast fashion, se elas não ajustarem seus modelos de negócios. E aqui estamos falando de gigantes como Zara, Renner, Riachuelo, entre outras.

Mas para os Z, o que importa é que se é possível viver o prazer da experiência de usar aquele item sem, necessariamente, gastar uma fortuna com a posse daquele bem, por que vender focada na intenção de gerar a melhor experiência? E que empresa não quer vender mais?

Para a Geração Z, o debate sobre o descarte de roupas, eletrônicos e vários outros produtos tem sido constante e levado em consideração quando decidem sobre uma nova forma de consumir.

Geração Z estão lançando nova era para o varejo?

Segundo o relatório “A Ascensão da Geração Z: novos desafios para o varejo”, da empresa Ernst & Young, a autoconsciência é mais presente na Geração Z.

Essa nova consciência ganha força para os jovens paralelamente ao surgimento de tecnologias cada vez mais avançadas, com recursos como a Inteligência Artificial, novos aplicativos, realidade virtual e até o conceito de economia solidária.

Essa geração também tem uma grande facilidade em lidar com as diversidades, por isso, valoriza a capacidade de se expressar. Neste aspecto, as startups ganham força com eles, porque são abertos à experimentação de novas ideias.

Uma das dicas para não perder o espaço entre eles, que não só consomem, mas também influenciam os adultos no consumo, é ter a sua empresa presente nos canais em que a Geração Z tem presença garantida:

Tempo gasto com as mídias:

  • 9 horas e 29 minutos é a média de tempo gasto na internet por essa geração em qualquer dispositivo;
    Só nas redes sociais, os jovens ficam uma média de 3h34min.
    3h26min em TV – streaming e on-demand

 Além disso, as operações financeiras também estão mudando, hoje representam:

  • 61% usa mobile banking;
    38% faz pagamentos móveis;
    45% faz compra online com dispositivos móveis;
    8,2% tem algum tipo de criptomoeda;

A presença das pessoas nos e-commerces também têm sido significativas:

  • 89% realizou buscas de algum tipo de serviço ou produto;
    90% visitou alguma loja online por meio de algum dispositivo;
    68% comprou algum produtos ou serviço por meio de algum dispositivo;
    50% comprou online por meio de um desktop;
    45% comprou em um dispositivo móvel;

Fonte: dados se referem à um mês segundo pesquisa da Hootsuite

Em termos de consumo, se a sua empresa quiser estar atuando de forma bem-sucedida daqui a 10 anos, é preciso ficar de olho onde esse público está, o que gosta de fazer, como estão pagando suas contas, que tipo de negócios são atrativos para eles.

Além disso, não esqueça que desde já a presença digital é mais que importante, é fundamental, para todas as empresas, ter um site mais responsivo e criativo, além de serviço de atendimento de qualidade serão fundamentais para impactar o consumidor em relação à sua marca.